Revista eletrônica de investigações filosófica, científica e tecnológica

ISSN 2358-7482

 

Dezembro/2020, Ano VI, Volume VI, Número XX

 

A fenomenologia de Merleau-Ponty e a educação: a indisciplina da filosofia e a impossibilidade de seu ensino

          Publicado 28/12/2020

 

 

Geyson Magno Tôrres Monteiro

 

Resumo

O texto aborda a filosofia, o seu ensino e a educação. Neste sentido problematiza a possibilidade de disciplinar e ensinar filosofia enquanto mais um conteúdo disciplinar, compreendendo que é possível, apenas, ensinar a filosofar, tendo como fundamentação teórica para tal a fenomenologia, mais precisamente a fenomenologia existencialista de Maurice Merleau-Ponty em seus textos, Elogio da Filosofia e Fenomenologia da Percepção. Além disso, busca uma conexão com o estruturalismo de Gilles Deleuze, mais precisamente no seu pensamento sobre o que é a Filosofia e como se dá a sua atividade na vida das pessoas, no que é possível dialogar com essa fenomenologia existencialista. Sobretudo enquanto uma perspectiva de pensamento em ação onde o corpo é componente determinante de um pensamento e de uma atitude filosófica. O artigo aborda ainda o conceito fenomenológico de corporeidade e de “sujeito incorporado”, problematizando e questionando a possibilidade de um ensino de filosofia único, disciplinado e dogmatizado, baseado apenas em epistemologias, com pedagogia tecnicista, componentes curriculares fragmentados e historicizados. Por se voltar para si, ser algo em construção, em processo e um pensamento que se faz renovado sempre a filosofia é o lócus do questionamento, da indisciplina, da desconfiança, da criação e da singularidade, sendo o interesse e não a verdade sua busca mais expressiva. Contudo, ao expressar esse pensamento de indisciplinaridade da filosofia não se faz a defesa da saída da mesma da BNCC e do currículo formal no ensino médio, pelo contrário, pretende que ela seja ampliada, se tornando obrigatória também para os estudantes nos anos finais do ensino fundamental da escola pública. Em sua formalidade como disciplina transmitida, se indica a opção por uma práxis educativa baseada sobretudo em uma ontologia, numa relação que se estabelece entre sentido e significado dos temas e questões abordadas e vivenciadas no ambiente escolar, onde a facticidade torna impossível para o ser humano estar no mundo sem tomar uma posição frente às coisas e às pessoas e que o impera a recriá-lo, entendendo a vida enquanto conhecimento, abertura e comunhão.

Palavras-chave: Corporeidade. Criação. Escola. Filosofar. Ontologia.

 

Abstract

The text approaches the teaching of philosophy and the formal education context based on it. In this respect it aims to discuss the possibility of teaching philosophy as an elective course and part of the curriculum, understanding that it is quite possible, teaching students to philosophise only, based on the theory of phenomenology more precisely Maurice Merleau-Ponty’s existential phenomenology in his two texts, Elogio da Filosofia (Éloge de la philosofie) and Fenomenologia da percepção (Phenomenologie de la perception). Besides that, this article attempts to bridge the Gilles Deleuze’s structuralism, specifically his thoughts on what philosophy is and its influence in people’s lives, and the existentialist phenomenology mainly as through the perspective of thought in action where the body is the determining component of a thought and philosophical attitude. This article approaches also the phenomenological concept of corporeality and “embedded subject”, questioning the possibility of a unique approach to teaching philosophy, disciplined and dogmatized, based only in epistemologies, with a technical pedagogy, fragmented and historicized curriculum components. Because philosophy looks within itself, it is a work in progress, a thought which is always renewed it is also a locus of understanding, of the indiscipline, of the skepticism, of the creation and singularity, being the interest and not the truth but the most expressive search for it. However, by suggesting that philosophy is indiscipline we do not aim to dissociate this subject from BNCC and from High school curriculum, much to the contrary, we intend to broaden its application, becoming a mandatory school subject also for students at the two remaining years of High School at public schools. As an formal discipline, we recommend it as an alternative for an educational praxis based above all in an ontology, in a relationship established between sense and meaning of the themes and questions from a school environment, where facticity makes practically impossible for human to be in the world and take decision on things and people and forces them to recreate themselves, comprehending life as knowledge, openness and communion.

Keywords: Corporeality. Creation. School. Philosophise. Ontology.

 

Resumo

La teksto tuŝas Filozofion, ĝia instruado kaj edukado. Tiusence ĝi problemigas la eblecon disciplinigi kaj instruigi Filozofion kiel plian lernobjekton, bazinta sin sur la fenomenologio, pli precize la ekzistencialisma fenomenologio de Maurice Merleau-Ponty, el liaj tekstoj, Laŭdado al la Filozofio kaj Fenomenologio de la Perceptado, oni komprenante ke eblas nur instrui filozofiadi. Cetere, ĝi serĉas konekton inter la strukturalismo de Gilles Deleuze – pli precize rilate al lia pensoj pri kio estas Filozofio kaj kiel ĝi estiĝas en la vivo de homoj – laŭ tio kio eblas dialogi kun la ekzistenciisma filozofio. Antaŭ ĉio dum perspektivo de enagada penso, kie la korpo estas determiniga frakcio de filozofiaj pens- kaj agmaniero. La artikolo ankoraŭ tuŝas la fenomenologian konceptoj de korpeco kaj de “enkorpigita subjekto”, problemigante kaj demandante la eblecon de ununura, disciplinita kaj dogmatigita, instruado de Filozofio, bazita nur sur epistemologioj, laŭ teknikisma pedagogio, fragmentitaj kaj historigitaj faklerneroj. Ĉar ĝi turnas sur si mem, kaj estas io sin konstruanta, en procezo kaj pensmaniero kiu ĉiam renoviĝas, la Filozofio estas la loko de memdemandado, de nedisciplino, de malfido, de kreado kaj singulareco, kaj ĝia plej grava serĉado estas la intereso, ne nepre la vereco. Tamen, esprimi tiun penson pri maldisciplineco de la Filozofio ne fariĝas defendo de ĝia ekskludo de la BNCC kaj de la formala fakaro de la Mezlernejo, kontraŭe, oni intencas ke ĝi estu pliampleksigita, fariĝante deviga ankaŭ por la lernantoj de la finaj jaroj de la Fundamenta Instruado de la publika eduksistemo. Per ĝia formaleco kiel transmisiita lernfako, oni indikas la elekton de edukiga praktiko bazita precipe sur ontologio, en rilato kiu stabliĝas inter senco kaj signifo de la temoj kaj demandoj tuŝitaj kaj travivitaj en la eduka sistemo, kie la fakteco neebligas al la homo esti en la mondo sen sintenigi rilate al aferoj kaj homoj, kaj kie estas al li imperigita rekrei sin, komprenante vivon kiel kono, malfermiĝo kaj kuniĝo.

Ŝlosilvortoj: Korpeco. Kreado. Lernejo. Filozofadi. Ontologio.

 

 

Biografia do autor

Geyson Magno Tôrres Monteiro

Mestre em Filosofia pela UFPE - Universidade Federal de Pernambuco, 2019. Pós-graduado em ensino de Filosofia pela FAINTVISA - Vitória de Santo Antão, 2017. Graduado em Licenciatura Plena em Filosofia pela FAFICA - Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Caruaru, 2015. Ministra voluntariamente um curso de Filosofia para os alunos do sexto ao nono anos, na Escola Mestre Vitalino, no Alto do Moura - Caruaru/PE. Foi coordenador de Fotografia da Secretaria de Cultura do estado de Pernambuco de 2009 a 2011. Fotógrafo e fotojornalista profissional desde 1993, com atuação nas áreas de fotografia editorial (fotojornalismo) e fotografia publicitária. Foi um dos sócios fundadores da Agência Lumiar de Fotografia, onde atuou como fotógrafo e sócio-gerente de1995 a 2005. Possui um acervo fotográfico do Nordeste brasileiro com mais de 15.000 imagens. E-mail: geyson.magno@hotmail.com

 

Referências

 

BONDIA, J. L. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Revista brasileira de Filosofia. Rio de Janeiro, n. 19, p. 20-28, jan./abr. 2002. Quadrimestral. ISSN 1413-2478.

 

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DELEUZE, G. Conversações. Rio de Janeiro: Editora 34, 1992.

 

KANT, I. Crítica da Razão Pura. São Paulo: Cidade Editora, 1983.

 

MATTHEWS, E. Compreender Merleau-Ponty. Tradução: Marcus Penchel. Petrópolis: Editora Vozes, 2ª Edição, 2011.

 

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